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Minha trajetória

Minha escolha pela Psicologia nasceu da curiosidade diante dos fenômenos psíquicos e do desejo de compreender a complexidade da experiência humana. Mais do que uma profissão, encontrei na Psicologia um caminho de estudo, reflexão e profundo respeito pela singularidade de cada pessoa.
Em 2007, iniciei minha graduação em Psicologia como bolsista. Desde os primeiros anos da formação, percebi que compreender a psique exigia muito mais do que o aprendizado de técnicas: era necessário desenvolver uma escuta atenta, sensível e comprometida com a singularidade de cada história.
Foi em 2008 que conheci a obra de Carl Gustav Jung. O encontro com a Psicologia Complexa marcou profundamente minha trajetória e transformou minha maneira de compreender o ser humano. Na perspectiva junguiana encontrei uma psicologia que acolhe o mistério da alma, reconhece a importância dos símbolos, dos sonhos, dos complexos e do inconsciente, e compreende o sofrimento psíquico como uma possibilidade de transformação e ampliação da consciência.
Ainda durante a graduação, iniciei minha prática clínica na Clínica Escola da Universidade. Em 2009, realizei atendimentos em Orientação Vocacional; em 2010, atuei em Psicodiagnóstico; e, em 2011, iniciei os atendimentos em Psicoterapia. Essas experiências consolidaram minha convicção de que a clínica psicológica é, antes de tudo, um espaço de encontro, escuta e construção de significado.
Após a graduação, permaneci dedicada ao estudo contínuo da Psicologia, entendendo que a formação de um psicólogo nunca se encerra. Minha trajetória inclui pós-graduação em Psicologia Clínica e Formação em Psicologia Junguiana, além de estudos nas áreas de psicofarmacologia clínica, transtornos do humor, psicologia analítica, interpretação dos sonhos, contos de fadas na perspectiva junguiana, Terapia Afirmativa LGBTQIA+ e atendimento multiprofissional às pessoas trans.
Entre os mestres que contribuíram para minha formação, destaco o professor Heráclito Pinheiro, cuja leitura rigorosa e profundamente comprometida com a obra de Carl Gustav Jung representa uma importante inspiração para meus estudos. Sua maneira de compreender a Psicologia Complexa, fortaleceu ainda mais minha convicção sobre a profundidade e a atualidade do pensamento junguiano.
Compreendo que o exercício ético da Psicologia exige não apenas atualização científica, mas também um constante trabalho sobre si mesmo. Por essa razão, mantenho meu compromisso com a análise pessoal e com a supervisão clínica, reconhecendo que ambas são fundamentais para sustentar uma prática responsável, sensível e verdadeiramente comprometida com o cuidado do outro.
Acredito que cada pessoa possui uma história única e que o processo terapêutico oferece um espaço privilegiado para que essa história possa ser escutada, compreendida e ressignificada.
Recebo cada paciente com respeito, ética e presença, oferecendo um ambiente seguro para que sonhos, emoções, conflitos e experiências possam encontrar expressão e significado. Mais do que buscar a eliminação dos sintomas, compreendo a psicoterapia como um caminho de ampliação da consciência, fortalecimento da autonomia e encontro com aquilo que há de mais autêntico em cada ser humano.
Continuo estudando porque acredito que a Psicologia é um saber vivo. Assim como a psique está em constante movimento, também o psicólogo precisa permanecer em permanente aprendizado. É esse compromisso com o conhecimento, com a escuta e com o desenvolvimento humano que sustenta minha prática clínica e orienta meu trabalho todos os dias.
Formações
• Graduação em Psicologia - Universidade Bandeirante de São Paulo
• Pós Graduada em Psicologia Clínica - Faculdade Anhanguera
• Formanda em Psicologia Junguiana - Instituto Dédalus
• Extensão em Psicofarmacologia Clínica - Universidade de São Paulo
• Extensão em Psicofarmacologia e Portaria 344/98 - EEP HCFMUSP
• Introdução à Psicologia Analítica - Instituto Freedom
• Contos de Fadas na Psicologia Analítica - Instituto Freedom
• O Método de Jung: Interpretação dos Sonhos - Heráclito Pinheiro
• Qualificação em Terapia Afirmativa LGBTQ+ - Afirmativa Serviços Acadêmicos
•Atualização Multiprofissional no Atendimento às Pessoas Trans - Secad Artmed
•Transtornos de Humor no Ciclo da Vida - Editora Manole em Parceria com IPq-HCFMUSP
Psicologia Complexa: uma ciência da alma e da totalidade da experiência humana
A Psicologia Complexa, fundada por Carl Gustav Jung, constitui uma das mais profundas investigações sobre a natureza da psique humana. Longe de restringir-se à compreensão dos sintomas ou à adaptação do indivíduo às exigências da vida cotidiana, essa abordagem dedica-se ao estudo da alma em sua dinâmica própria, reconhecendo-a como uma realidade viva, autônoma e dotada de finalidade.
Sob essa perspectiva, o ser humano não pode ser reduzido às determinações biológicas, aos condicionamentos sociais ou à história pessoal, embora todos esses elementos façam parte de sua constituição. A existência humana manifesta uma dimensão simbólica que transcende a causalidade linear e revela um movimento contínuo em direção à realização da totalidade da personalidade.
A Psicologia Complexa nasce precisamente da necessidade de compreender essa realidade psíquica em sua singularidade, respeitando sua linguagem própria, seus ritmos e suas formas de manifestação.
A excelência da psique
Uma das contribuições mais originais de Jung consiste em reconhecer que a psique não é um produto secundário da matéria nem uma simples atividade da consciência. Ela possui realidade própria, autonomia relativa e capacidade autorreguladora.
A consciência representa apenas uma pequena região do campo psíquico. Grande parte da vida interior desenvolve-se no inconsciente, que não deve ser entendido como um depósito de conteúdos reprimidos, mas como um princípio ativo da personalidade.
O inconsciente cria imagens, produz símbolos, organiza sonhos, suscita emoções, orienta processos de compensação e participa continuamente da construção da experiência humana. Sua atividade não é arbitrária; ela obedece a uma inteligência própria da psique, cuja finalidade é favorecer o desenvolvimento da personalidade em direção à sua maior integração.
Nesse sentido, consciência e inconsciente não constituem instâncias opostas, mas polos complementares de uma mesma realidade dinâmica.
Os Complexos: fundamento da Psicologia Complexa
O termo "Psicologia Complexa" não possui caráter meramente histórico ou terminológico. Ele expressa o núcleo da descoberta junguiana: a existência dos complexos como unidades vivas da organização psíquica.
Os complexos são sistemas autônomos de energia psíquica organizados em torno de determinadas experiências afetivas. Reúnem lembranças, imagens, emoções, fantasias, expectativas e padrões de comportamento que gravitam em torno de um mesmo núcleo de significado.
Sua autonomia explica por que, muitas vezes, pensamos, sentimos ou reagimos de maneiras que escapam ao controle da vontade consciente. Não somos senhores absolutos da própria consciência porque a personalidade é constituída por múltiplos centros de organização psíquica que coexistem em permanente relação.
Contudo, os complexos não representam uma patologia. Eles constituem a própria arquitetura da vida psíquica. Tornam-se fonte de sofrimento apenas quando sua autonomia impede o diálogo com a consciência, restringindo a liberdade interior e cristalizando modos repetitivos de existir.
A tarefa terapêutica não consiste em eliminar os complexos, mas em estabelecer uma relação consciente com eles, permitindo que sua energia seja integrada ao desenvolvimento da personalidade.
O Inconsciente Coletivo e a dimensão arquetípica da experiência
Ao aprofundar suas investigações clínicas, Jung constatou que determinadas imagens surgiam espontaneamente em pessoas de diferentes culturas e épocas, independentemente de qualquer contato histórico entre elas.
Essa observação levou-o à formulação do conceito de inconsciente coletivo, entendido como a camada mais profunda da psique, onde residem os arquétipos.
Os arquétipos não são imagens prontas, mas princípios estruturantes da experiência humana. Constituem possibilidades universais de representação e ação, atualizando-se continuamente na forma de símbolos, narrativas míticas, manifestações religiosas, produções artísticas e sonhos.
Por essa razão, a Psicologia Complexa estabelece um diálogo constante com a mitologia, a antropologia, a filosofia, a história das religiões e as tradições simbólicas da humanidade. Esses campos não são utilizados como ilustrações da teoria psicológica; são compreendidos como expressões legítimas da dinâmica arquetípica da psique.
O Símbolo: linguagem da transformação
Entre todos os conceitos desenvolvidos por Jung, talvez nenhum seja tão central quanto o símbolo.
O símbolo não é um simples signo nem uma alegoria destinada a transmitir uma ideia previamente conhecida. Sua natureza consiste precisamente em expressar aquilo que ainda não pode ser plenamente apreendido pela consciência.
Por isso, o símbolo permanece vivo. Ele transforma simultaneamente aquele que o contempla e aquele que se deixa afetar por sua presença.
Toda verdadeira experiência simbólica amplia a consciência, pois estabelece uma ponte entre o conhecido e o desconhecido, entre aquilo que já foi integrado e aquilo que ainda permanece em estado potencial.
É nessa perspectiva que sonhos, imaginação, arte, experiências religiosas e acontecimentos carregados de significado adquirem importância clínica. Eles revelam movimentos profundos da psique que escapam à linguagem puramente racional.
O Si-mesmo e o processo de individuação
Toda a dinâmica psíquica encontra sua orientação no arquétipo do Si-mesmo (Self), compreendido por Jung como o centro e a totalidade da personalidade.
Enquanto o ego organiza a consciência, o Si-mesmo representa a unidade mais ampla da psique, integrando consciente e inconsciente numa ordem que ultrapassa a perspectiva limitada da vontade individual.
A individuação consiste precisamente no processo pelo qual o ego aprende a estabelecer uma relação consciente com essa realidade mais abrangente.
Não se trata de um ideal de perfeição nem de um projeto de autorrealização narcísica. Individuar-se significa tornar-se progressivamente aquilo que se é em potência, reconhecendo os limites do ego e permitindo que a personalidade se organize em torno de um princípio de maior totalidade.
Nesse caminho, a sombra deixa de ser apenas objeto de rejeição, a anima e o animus tornam-se mediadores da vida interior, e os símbolos passam a orientar o desenvolvimento psicológico como expressões da inteligência da própria psique.
A psicoterapia como encontro com o mistério da existência
A psicoterapia junguiana não pretende oferecer fórmulas prontas para o sofrimento humano. Seu propósito é criar as condições para que a própria psique possa manifestar sua capacidade de autorregulação e transformação.
O encontro terapêutico torna-se, assim, um espaço de escuta profunda, no qual sonhos, símbolos, emoções, imagens e complexos podem revelar novos significados para a experiência vivida.
Cada sintoma deixa de ser compreendido apenas como uma disfunção e passa a ser investigado como uma manifestação da totalidade psíquica, frequentemente indicando aspectos negligenciados da personalidade que buscam reconhecimento consciente.
Mais do que aliviar o sofrimento, a Psicologia Complexa procura favorecer uma transformação da relação que o indivíduo estabelece consigo mesmo, com os outros e com o sentido de sua existência.
Nessa perspectiva, a psicoterapia torna-se um caminho de ampliação da consciência. Não conduz a uma verdade definitiva, mas à experiência contínua do diálogo entre o ego e a totalidade da psique. É nesse diálogo que o ser humano descobre que sua vida interior não constitui um obstáculo ao viver, mas a fonte mais profunda de sua liberdade, criatividade e realização.
Como observava Carl Gustav Jung, "a psique é, por sua natureza, imagem". Aproximar-se dessas imagens com respeito, abertura e rigor é reconhecer que a alma humana não pode ser reduzida a conceitos ou explicações causais. Ela é um mistério vivo, que continuamente nos convida ao autoconhecimento, à integração e à realização daquilo que somos chamados a ser.
Não atendo emergência. Em caso de urgência e crises agudas, entre em contato com o CVV - Centro de valorização da vida no número 188, ou o SAMU. Esses contatos de apoio são gratuitos

